domingo, 21 de novembro de 2010

Fui dar em Budapeste graças a um pouso imprevisto, quando voava de Istambul a Frankifut, com conexão para o Rio. A companhia ofereceu pernoite num hotel do aeroporto, e só de manhã nos informariam que o problema técnico, responsável por aquela escala, for na verdade uma denúncia anônima de bomba a bordo. No entanto, espiando por alto o telejornal da meia-noite, eu já me intrigava ao reconhecer o avião de companhia alemã parado na pista do aeroporto local. Aumentei o volume, mas a locução era em húngaro, única língua do mundo que, segundo as más línguas, o diabo respeita. Apaguei a tevê, no Rio eram sete da noite, boa hora para telefonar para casa; atendeu a secretária eletrônica, não deixei recado, nem faria sentido dizer: oi, querida, sou eu, estou em Budapeste, deu um bode no avião, um beijo.


Chico Buarque

Um comentário:

DEXTRA disse...

"Fui dar em Budapeste..." é brabo heim Chico. Credo.